Objetivos pessoais: quando a promessa se transforma em peso!

Objetivos pessoais: quando a promessa se transforma em peso!

Por Melanie Magalhães, psicóloga clínica no espaço Melanie Magalhães Psicologia

O novo ano trouxe uma lista invisível de promessas: comer melhor, fazer mais exercício, ser mais organizado, mudar hábitos… A ideia de recomeço é apelativa, mas, para muitas pessoas, rapidamente se transforma numa fonte de frustração. À medida que os meses passam e os objetivos não são cumpridos, poderá instalar-se a autocrítica.

Uma parte do problema está na forma como estes objetivos são construídos. Muitos não são intenções ajustáveis, mas exigências rígidas, formuladas como compromissos inegociáveis. Existe a crença implícita que exige uma versão melhorada e constante de nós próprios. Esquece-se, porém, que, ao mudar, o calendário, as pressões, o cansaço, as responsabilidades e os imprevistos continuam presentes.

Quando um objetivo falha, raramente é visto como um contratempo normal. Um deslize pontual é facilmente interpretado como um sinal de falta de força de vontade ou uma incapacidade pessoal. Esta leitura interna gera culpa, desânimo e frustração, emoções que acabam por afastar ainda mais do comportamento que se pretendia manter. Muitas desistências não acontecem por falta de capacidade, mas pelo peso da autocrítica.

Há também uma expetativa pouco realista em relação ao futuro. Pouco se pensa em como lidar com dias difíceis, períodos de stress ou desmotivação. Quando esses momentos surgem, o objetivo entra em choque com a realidade e é abandonado.

Talvez seja útil mudar o foco. Em vez de perguntar “vou conseguir cumprir?”, faria mais sentido perguntar “o que vou fazer quando não conseguir?”. Aceitar a falha como parte do processo, e não como uma exceção imperdoável, permite continuar sem transformar cada dificuldade numa derrota pessoal.

É importante definir objetivos mais realistas, que não exijam um desempenho constante nem dependem de uma motivação permanente. Objetivos que valorizem a regularidade possível e o processo, em vez da perfeição. Pequenos comportamentos consistentes, ao longo do tempo, têm mais impacto do que metas ambiciosas sustentadas à custa da culpa.

Falhar não invalida o percurso. Pelo contrário, muitas vezes revela limites, prioridades e necessidades que não estavam claras no início. Quando os objetivos deixam de servir para medir o valor pessoal, tornam-se ferramentas de autoconhecimento e mudança.

Talvez o maior erro dos objetivos não seja o facto de serem abandonados, mas a forma como são usados para julgar quem somos. A mudança raramente acontece em linha reta. A diferença está entre desistir ao primeiro desvio ou aprender a continuar apesar dele. Crescer não é cumprir tudo o que se propõe, mas saber ajustar, retomar e seguir, mesmo quando o plano inicial não corre como esperado.

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